Mais
de 10 manifestantes se reuniram na Praça Independência, em Santos, no
litoral de São Paulo, no fim da tarde desta quinta-feira (27), para
protestar contra o projeto conhecido como “Ato Médico”. Entre os
profissionais, estavam enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas.
Os
profissionais da área da saúde se reuniram contra o projeto de lei nº
268/2002, o Ato Médico, que visa regulamentar o setor, interferindo na
autonomia dos profissionais e impedindo o trabalho interdisciplinar e
multiprofissional. O grupo saiu da praça e seguiu pela avenida da praia,
sentido São Vicente, até o canal 1. O trânsito foi afetado para a
passagem dos manifestantes, que seguiram no sentido contrário na volta
da passeata.
De acordo com os manifestantes, as
categorias estão lutando para que a presidente não assine o ato médico.
Ainda segundo eles, a saúde do país já têm diversos problemas, e com o
projeto as deficiências do setor serão ainda mais atenuadas. O grupo
pede que o projeto seja vetado, não integralmente, mas que a autonomia
dos profissionais seja preservada. Segundo os manifestantes, se o
projeto não for vetado dentro de um prazo determinado, ele será aprovado
automaticamente.
O diretor do sindicato dos
enfermeiros na região, Natanael da Costa, explica que algumas medidas do
projeto não afetam a categoria. “O ato médico vem para regulamentar
alguns quesitos da medicina, que nós não somos contra. O que não
concordamos é que parte da nossa autonomia será afetada. O príncipo do
SUS é de ser multiprofissional, e o ato médico quer centralizar tudo ao
médico. Um exemplo é a campanha de vacinação, que com a aprovação do
ato, será necessário que um médico prescreva as vacinas. Como vamos
fazer uma campanha de vacinação, no país inteiro, com um médico em cada
posto volante. O serviço será comprometido”, diz.
Protestos na região
Os
protestos na Baixada Santista começaram no dia 13 de junho. Em Santos,
os manifestantes fecharam as ruas do centro contra o aumento das tarifas
de ônibus. Os túneis ficaram fechados para a passagem dos jovens. No
dia seguinte, os manifestantes deitaram no chão durante o protesto na
Praça da Independência. No sábado (15), terceiro dia de protestos no
município, as pesssoas se reuniram na avenida praia em Santos e seguiram
em passeata em direção à divisa com São Vicente.
Na
segunda-feira (17), ainda em Santos, os manifestantes saíram da Avenida
Conselheiro Nébias e chegaram até a balsa. A avenida da praia ficou
fechada nos dois sentidos e a polícia estima que, pelo menos, mil
pessoas participaram do movimento. Um grupo que saiu de Guarujá se uniu
aos manifestantes de Santos na travessia, bloqueando o serviço
Já
na terça-feira (18), os manifestantes se reuniram na porta do sindicato
dos Bancários para discutir sobre o movimento em Santos. Houve outros
protestos em São Vicente e Cubatão na terça-feira, onde prédios públicos
foram depredados, lojas saqueadas e ônibus queimados.
Na
quarta-feira (19), os protestos se concentraram em Guarujá, onde cerca
de 50 pessoas partiram da Praça Horácio Lafer e caminharam até a Praça
dos Emancipadores, no bairro Pitangueiras. Em São Vicente, houve uma
onda de violência, vandalismo e saqueamento de estabelecimentos
comerciais que se alastrou pela Área Continental da cidade e alguns
bairros da região central. Esses atos não têm ligação com as
reivindicações originadas pelo movimento Passe Livre.
Na
sexta-feira (21), os protestos aconteceram em São Vicente e Peruíbe. Em
São Vicente, cerca de 500 manifestantes partiram da Praça Tom Jobim, no
bairro Biquinha, e foram em direção à divisa com Santos. Em Peruíbe,
centenas de moradores se reuniram para protestar na cidade. Eles saíram
da ferrovia e seguiram até a Câmara Municipal. Não houve registro de
vandalismo.
Sábado (22), as manifestações ocorreram
pela primeira vez em Praia Grande, reunindo duas mil pessoas. Um
policial militar ficou ferido após ser atingido por um rojão durante o
protesto. Uma viatura também teve o vidro quebrado com uma pedrada. Em
Mongaguá, também houve protestos, com a participação de cerca de 300
pessoas. Um homem foi preso ao passar de moto por lojas da cidade
mandando os comerciantes fecharem as portas, sob o risco de assaltos. Já
em Guarujá, a manifestação ocorreu de forma pacífica, reunindo
aproximadamente 500 pessoas.
Nesta segunda-feira (24),
um grupo de manifestantes entrou em confronto com a polícia em Cubatão
(SP). A Rodovia Cônego Domênico Rangoni foi fechada e a situação estava
pacífica por toda a manhã. Porém, vândalos começaram a jogar pedras na
PM, colocaram fogo em pneus e despejaram a carga de um caminhão na
pista. Em Santos, um grupo de cerca de 20 pessoas caminhou pelas ruas
dos bairros Gonzaga e Boqueirão. A manifestação foi atrapalhada pela
chuva, já que estava prevista a participação de cerca de 3 mil pessoas.
Nesta
terça-feira (25) cerca de 70 pessoas participaram de um novo protesto
em Santos, no litoral de São Paulo, para dar continuidade aos atos que
tiveram início com o movimento Passe Livre, e que agora abrange as mais
diversas reivindicações. Por volta das 19h, o grupo estava concentrado
na Praça Independência, no bairro Gonzaga.
Na
quarta-feira (26), pela segunda vez na semana, os moradores de
Itanhaém, no litoral de São Paulo, se reuniram para protestar. O grupo
se concentrou em frente à prefeitura da cidade, pedindo melhorias na
educação, saúde e transporte público. Já em Bertioga, os moradores
realizaram uma passeata pelas ruas da cidade.
No Vale do Ribeira, as manifestações aconteceram em Registro, Miracatu, Iguape, Pedro de Toledo e Cajati.
Sindicato Profissional dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Estado de PE